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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O ano da Privataria

2011, o ano em que a mídia demitiu ministros. 2012, o ano da Privataria

'A imprensa estará muito menos disposta a comprar uma briga durante a CPI da Privataria – quer porque ela começa questionando a lisura de aliados sólidos da mídia hegemônica em 1994, 1998, 2002, 2006 e 2010, quer porque esse tema é uma caixinha de surpresas.'

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Por Maria Inês Nassif*

Em 2005, quando começaram a aparecer resultados da política de compensação de renda do governo de Luiz Inácio Lula da Silva – a melhoria na distribuição de renda e o avanço do eleitorado “lulista” nas populações mais pobres, antes facilmente capturáveis pelo voto conservador –, eles eram mensuráveis. Renda é renda, voto é voto. Isso permitia a antevisão da mudança que se prenunciava. Tinha o rosto de uma política, de pessoas que ascendiam ao mercado de consumo e da decadência das elites políticas tradicionais em redutos de votos “do atraso”. Um balanço do que foi 2011, pela profusão de caminhos e possibilidades que se abriram, torna menos óbvia a sensação de que o mundo caminha, e o Brasil caminha também, e até melhor. O país está andando com relativa desenvoltura. Não que vá chegar ao que era (no passado) o Primeiro Mundo num passe de mágicas, mas com certeza a algo melhor do que as experiências que acumulou ao longo da sua pobre história.

O perfil político do governo Dilma é mais difuso, mas não se pode negar que tenha estilo próprio, e sorte. As ofensivas da mídia tradicional contra o seu ministério permitirão a ela, no próximo ano, fazer um gabinete como credora de praticamente todos os partidos da coalizão governamental. No início do governo, os partidos tinham teoricamente poder sobre ela, uma presidenta que chegou ao Planalto sem fazer vestibular em outras eleições. Na reforma ministerial, ela passa a ter maior poder de impor nomes do que os partidos aliados, inclusive o PT. Do ponto de vista da eficiência da máquina pública – e este é o perfil da presidenta – ela ganha muito num ano em que os partidos estarão mais ocupados com as questões municipais e em que o governo federal precisa agilidade para recuperar o ritmo de crescimento e fazer as obras para a Copa do Mundo. (...)

Mais sorte que arte, a reforma ministerial começa no momento em que a grande mídia, que derrubou um a um sete ministros de Dilma, se meteu na enrascada de lidar com muito pouca arte no episódio do livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr. Passou recibo numa denúncia fundamentada e grave. Envolve venda (ou doação) do patrimônio público, lavagem de dinheiro – e, na prática, a arrogância de um projeto político que, fundamentado na ideia de redução do Estado, incorporou como estratégia a “construção” de uma “burguesia moderna”, escolhida a dedo por uma elite iluminada, e tecida especialmente para redimir o país da velha oligarquia, mas em aliança com ela própria. Os beneficiários foram os salvadores liberais, príncipes da nova era. O livro “Cabeças de Planilha”, de Luís Nassif, e o de Amaury, são complementares. O ciclo brasileiro do neoliberalismo tucano é desvendado em dois volumes “malditos” pela grande imprensa e provado por muitas novas fortunas. Na teoria. Na prática, isso é apenas a ponta do iceberg, como disse Ribeiro Jr. no debate de ontem (20), realizado pelo Centro de Estudos Barão de Itararé, no Sindicato dos Bancários: se o “Privataria” virar CPI, José Serra, família e amigos serão apenas o começo. (...)

CLIQUE AQUI para ler a íntegra do artigo (postado originariamente no sítio *Carta Maior)

Foto: Blog Maria Frô

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Espionagem em governos tucanos aponta relações obscuras com polícia e mídia

As revelações sobre episódios de espionagem política patrocinados por governos tucanos em São Paulo e no Rio Grande do Sul lançam um pouco de luz em uma zona sombria da relação entre poder político, aparato policial e mídia que não fica devendo nada ao escândalo Murdoch.

Em setembro de 2010, o governo Yeda Crusius (PSDB) foi alvo de novas denúncias envolvendo o uso do aparato de segurança do Estado para espionar jornalistas, adversários políticos e outras autoridades. As denúncias surgiram a partir da prisão do sargento César Rodrigues de Carvalho, da Brigada Militar, que estava lotado na Casa Militar do governo tucano, onde trabalha como segurança da então governadora, entre outras funções. O Sargento foi preso acusado de extorquir proprietários de máquinas caça-níqueis e de obstaculizar as investigações sobre o caso. Amílcar Macedo, promotor que conduziu o caso, revelou mais tarde que o sargento também tinha a atribuição de executar serviços especiais de espionagem.

A lista de espionados era longa, incluindo políticos, filhos de políticos, jornalistas (entre os quais estou incluído), delegados, oficiais de polícia e das forças armadas, uma desembargadora, entre outros. Segundo as investigações da promotoria, o sargento fazia, pelo menos, dois tipos de investigações: uma para levantar dados sobre a vida do investigado e outra para saber se a pessoa estava sendo investigada por alguma instituição.

Agora, em agosto de 2011, a revista Isto É publicou reportagem afirmando que os governos tucanos em São Paulo desenvolveram uma prática similar a essa atribuída ao governo Yeda Crusius. Intitulada“Central tucana de dossiês”, a matéria de Pedro Marcondes de Moura afirma que “mais de 50 mil documentos encontrados no Arquivo Público de São Paulo mostram como a polícia civil se infiltrou e investigou partidos políticos, movimentos sociais e sindicatos em pleno governo de Mário Covas”. A reportagem afirma:

“Agentes infiltrados em movimentos sociais, centenas de dossiês sobre partidos políticos, relatórios minuciosos com os discursos de oradores em eventos políticos e sindicais. Tudo executado por policiais, a mando de seus chefes. Estas atividades, típicas da truculenta ditadura militar brasileira, ocorreram no Estado de São Paulo em plena democracia, há pouco mais de dez anos. Cerca de 50 mil documentos, até então secretos e que agora estão disponíveis no Arquivo Público do Estado, mostram como os quatro governadores paulistas, eleitos pelas urnas entre 1983 e 1999, serviram-se de “espiões” pagos com o dinheiro dos contribuintes para monitorar opositores. Amparados e estimulados por seus superiores, funcionários do Departamento de Comunicação Social (DCS) da Polícia Civil realizavam a espionagem estatal”.

Entre os alvos dessas operações na administração do PSDB, diz ainda a matéria, aparecem principalmente lideranças do PT e a Central Única dos Trabalhadores (CUT). “Há dezenas de dossiês com informações sobre as duas entidades e seus principais expoentes. Já as investigações a respeito dos tucanos e seus aliados foram suspensas a partir de 1995, quando Covas assumiu o governo de São Paulo”.

Há algumas semelhanças gritantes entre as denúncias que surgem agora envolvendo governos do PSDB em São Paulo e aquelas feitas ao governo de Yeda Crusius no Rio Grande do Sul. Os dois casos envolvem o uso do aparato de segurança do Estado para espionar adversários políticos, contando com o silêncio e, possivelmente, a cumplicidade de setores da mídia. O desenrolar das investigações e dos processos em curso no Rio Grande do Sul talvez possam inspirar algum procedimento semelhante em São Paulo.

Acusado de espionagem era informante da RBS
Em maio deste ano, o juiz Fernando Alberto Corrêa Henning, da 3ª Vara Criminal de Canoas, recebeu a denúncia oferecida pelo Ministério Público contra o sargento da Brigada Militar, o ex-chefe de gabinete de Yeda Crusius, Ricardo Luís Lied, e Frederico Bretschneider Filho (tenente-coronel da reserva e ex-assessor de gabinete da ex-governadora) por acesso ilegal ao Sistema de Consultas Integradas da Secretaria de Segurança Pública (SSP).

A acusação feita pelo Ministério Público e aceita pela Justiça atualizou denúncias feitas pelo ex-ouvidor da Secretaria de Segurança do Rio Grande do Sul, Adão Paiani, que deixou o governo Yeda fazendo justamente essa acusação: uma estrutura de espionagem política ilegal havia sido montada no Palácio Piratini. Ao longo das investigações, essa estrutura apresentou ramificações midiáticas um tanto obscuras, envolvendo a RBS, o maior grupo de comunicação da região sul do país.

O sargento César Rodrigues de Carvalho era informante de jornalistas do Grupo RBS. O fato foi admitido pela própria empresa em uma nota publicada no dia 10 de setembro de 2010 no jornal Zero Hora. “O nome do sargento até agora não havia sido mencionado nas reportagens dos veículos da RBS em respeito ao princípio constitucional de proteção do sigilo de fonte”, disse a nota. Ainda segundo a RBS,“as informações se referiam a passagens por presídios, situação de criminosos foragidos e o tipo de crime em que estavam envolvidos, incluindo, em alguns casos, fotos”
.
No mesmo período, um email foi enviado a vários jornalistas do Estado afirmando que o sargento “prestava serviços a jornalistas no acesso a dados”, em especial para a RBS. Segundo o jornalista Vitor Vieira, do site Vide Versus, jornalistas do grupo teriam recebido dez senhas de acesso ao Sistema de Consultas Integradas. Esse sistema, cabe lembrar, é de uso exclusivo das forças de segurança do Estado, não se destinando a servir como fonte privilegiada para jornalistas. Protegidas pelo sigilo que cerca o processo, há muitas informações sobre esse caso que ainda não vieram a público. Os veículos da RBS, como era de se esperar, não tocaram mais no tema da relação entre seus jornalistas e o sargento acusado de espionagem política e outros crimes.

As revelações sobre episódios de espionagem política patrocinados por governos tucanos em São Paulo e no Rio Grande do Sul lançam um pouco de luz em uma zona sombria da relação entre poder político, aparato policial e mídia que não fica devendo nada ao escândalo Murdoch.

(*) Artigo publicado também na Carta Maior.

Feito Ctrl+C / Ctrl+V de RS URGENTE

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Esposa de José Serra ataca o Bolsa Família

“A mulher de Serra falou o que os tucanos sempre disseram quando falavam em Bolsa-esmola, em assistencialismo eleitoreiro e em fábrica de preguiçosos [Bolsa-Vagabundo]. O Bolsa-família foi sempre desprezado, atacado e injuriado. Diziam que “dava o peixe, mas não ensinava a pescar”.

Chegadas as eleições, [este ano] viraram fanáticos torcedores do Bolsa-Família. Chegam a prometer até dobrar o beneficio. Juram que foram eles que o inventaram e que vão melhorar.

Eis que a esposa do candidato decidiu ajudar o marido na campanha eleitoral e subiu no palanque em Curitiba, em companhia de Fernanda Richa, esposa do candidato tucano ao governo do Paraná, Beto Richa. No meio do discurso falou o que pensa sobre o Bolsa-Família.

Ainda bem que Fernanda Richa estava lá para tentar consertar o estrago de Mônica Serra, e que o jornal VALOR, o único a reportar o evento, destaca no título que “Mônica Serra corrige crítica ao Bolsa-família”. Mas o fundo do pensamento ali foi exposto com todas as letras.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Desespero apequenou criatividade tucana?

Já está online a carta publicada hoje no "Painel do Leitor" da Folha de S.Paulo (página 3 do impresso) em que a dramaturga Consuelo de Castro expõe sua revolta contra o uso de meu nome e imagem feito pela oposição, de forma torpe e caluniosa, na propaganda eleitoral do candidato da oposição, José Serra (PSDB-DEM-PPS), na TV. Geralmente disponibilizo para os leitores aqui do blog linkando para o jornal, mas como, às vezes, o jornal disponibiliza o material apenas para assinantes, transcrevo abaixo a íntegra da carta da Consuelo de Castro:

"Será que o PSDB - um partido com tão longa folha de serviços prestados à democracia brasileira – precisa mesmo desse insert publicitário ridículo, em que José Dirceu é apresentado como uma espécie de Coringa - o vilão número 1 do Batman - que supostamente viria assombrar o país, em caso de vitória de Dilma Rousseff?

Será que não há nada mais para dizer a favor de si próprio além desse apelo de gibi? Os marqueteiros que criaram peça tão infame e risível conhecem, de fato, a história do partido que estão defendendo? Ou a imaginação se apequenou na medida em que o desespero cresceu? 


Consuelo de Castro, dramaturga"
Fonte: http://www.zedirceu.com.br

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Ronaldo desmente twitter dos brucutus

Já estava claro que os brucutus forjaram o twitter do Ronaldo Fenômeno, como mostramos ontem à noite aqui, para disseminar uma campanha anti-Dilma, mas agora o próprio jogador confirmou a armação com uma nova mensagem, na qual alerta: “cuidado com os fakes, galera. eu não mando nem mandei nenhum candidato a presidente calar a boca.. podem olhar minha timeline”.
O desmentido de Ronaldo revela como o jogo sujo prossegue na rede e tende a aumentar à medida que Dilma abre vantagem sobre Serra. Percebe-se claramente o desespero da tucanada na maneira como Dilma foi entrevistada no Jornal Nacional, na campanha que vem sendo feita pelos jornalões e na agressividade dos que tentam defender Serra, sempre destratando com grosseria quem aponta os verdadeiros interesses por trás de sua campanha.
A falsificação do twitter do Ronaldo não foi a primeira e nem será a última baixaria dessa campanha. A gente sabe do que a direita é capaz e da capacidade de espalhar seus interesses através dos meios de comunicação. A hora é de ficar alerta e denunciar qualquer manobra, mas sem perder a ternura.

Como agem os canalhas


Durante todo o dia o Globo Online publicou uma matéria dizendo que um certo “Cala Boca Dilma” tinha ficado entre os tópicos mais tuitados do dia. Verdade. Mas não se publicou como esta campanha foi alimentada.  Uma das fontes que propaga esta mensagem é um twitter  falso de Ronaldo Fenômeno – insisto, falso, não há nada que o envolva nisso . Olhem a página e vejam, clicando na imagem para ampliar.O twitter verdadeiro não tem nada disso e o perfil falso foi apagado.
O jogo sujo dos brucutus na rede não acabou. Olho vivo e prudência. O desespero tomou conta desta gente.
Não acreditem nas coisas que não tenha referências e não se apavorem.
O medo é lá, o desespero é lá, a sujeira é lá.
Sigamos com serenidade e confiando no povo que viu a face da esperança e não vai se confundir com baixarias.
Viva o povo brasileiro!
Do blog Tijolaço

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Sobre a pesquisa eleitoral do IBOPE

Resultado de pesquisa eleitoral no RS é traumático: já apontou o prefeito de Porto Alegre Olívio Dutra como último colocado na preferência dos votos, bem como o governador Rigotto com 14% da preferência do eleitorado guasca, quando foi a de 5% sobre o candidato do PT Tarso Genro em 2002. Depois de 2002, ao que parece, os escândalos dos erros em pesquisa eleitoral deixaram de ser pauta, com a confirmação de suas previsões nas urnas*.

Agora, a novidade é a de que Tarso Genro baixa dois pontos percentuais, mantendo-se na liderança da intenção de votos, mas Fogaça sobe... dois pontos percentuais! Tudo dentro da margem de erronaquele instituto do senhor Carlos Montenegro.

Achamos que tem gato nessa tumba e se chama financiamento de campanha. É interessante passar em frente ao comitê estadual da campanha de José Fogaça [PMDB-PRBS] - um prédio de esquina na Av. Farrapos, antiga revendedora de automóveis - e ver as paredes externas pichadas. Há algum tempo atrás, seria impensável uma sede sem pintura nova na fachada!

Pode parecer bobagem, uma frescura, mas esse "detalhe" remete à falta de recursos financeiros e uma campanha eleitoral bem sucedida, nos moldes atuais, necessita de grana, dindim, pila, dinheiro. Não é à toa que a campanha da Yeda Crusius, conforme o Diário Gauche no post Arrecadação de campanha eleitoral, pretende arrecadar 23 milhões. Além disso, a campanha de Tarso Genro [PT/Unidade pelo Riogrande] arrecadou o dobro de Fogaça!

Por isso, não "combina" esse acréscimo fogacista ao mesmo tempo em que Dilma Rousseff [PT] passa Serra [PSDB] no RS. Temos a impressão de que há uma "mão amiga" do IBOPE aí para ir atrás dos financiadores de campanha para o candidato do PMDB.

E não adianta o argumento de que o vice da Dilma é o Michel Temer [PMDB] para tentar analisar essa subida, sempre dentro da margem de erro, do Fogaça. Até o reino mineral sabe, que o PMDB da imparcialidade ativa é Serra no RS.

*Referimo-nos, evidentemente, à situação de Porto Alegre, onde residimos e temos mais informações. Deixem comentários, a respeito de erros eleitorais em pesquisa de intenção de votos.

Copiado do Blog Dialógico

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

TRE rejeita contas da campanha de Yeda



O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE) rejeitou, dia 9 de fevereiro, as contas estaduais do PSDB relativas ao ano de 2006. A sentença ratificou parecer da Procuradoria Regional Eleitoral no mesmo sentido. Segundo o TRE, a desaprovação “foi motivada principalmente por erros técnicos não sanados pelo partido em suas contas”. Entre esses “erros técnicos” está o repasse de valores em dinheiro sem qualquer comprovante, no ano da campanha eleitoral para o governo do Estado.

Leia na íntegra no RS Urgente

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

A FASE e o braço imobiliário da RBS


E A FASE?
No RS, o monopólio de comunicação Grupo RBS também é questionado em Ação Civil Pública. Resta-nos saber, quem, do Ministério Público, irá impedir que a empresa, através de seu braço imobiliário, tenha seus interesses questionados por mais essa maldade a ser engendrada pelo Governo Yeda Crusius [PSDB-PRBS]. Até o sumido Secretário Estadual Fernando Schüller [foto ao lado e em destaque no blog] deu as caras em entrevista!

PSDB: PT discriminou os ricos

PSDB revê tática e vai ao TSE contra PT e Dilma


CATIA SEABRA
da Folha de S.Paulo

Numa demonstração de que o ano eleitoral já começou, o PSDB partiu para ofensiva para tentar deter o crescimento da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) registrado no último Datafolha. Antes acomodados numa confortável liderança, tucanos mudaram de estratégia e até entraram com duas representações no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para impedir a exibição do programa do PT em maio.

Nelas, o PSDB acusa o PT de "terrorismo eleitoral", propaganda antecipada e promoção pessoal de Dilma no programa partidário veiculado em dezembro. A propaganda eleitoral só é permitida a partir de julho.

Numa das representações, o PT é também acusado de incitar o preconceito de classe, ao afirmar que tucanos "separavam o que consideravam coisa de pobre e coisa de rico".

"Para eles, apenas os ricos pareciam ter o direito de ser feliz", dizia a propaganda, após listar carne e carro como "coisa de rico" e desemprego e escuridão como "coisa de pobre".

Segundo a representação, o PT feriu o Código Eleitoral, segundo o qual "não será tolerada propaganda [...] de preconceitos de raça ou de classes".

Estratégia

As representações foram apresentadas no último dia útil de 2009, 19 dias após o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE), afirmar que não daria resposta ao programa exibido em 10 de dezembro.

"Todos foram consultados. Examinamos as peças e chegamos à conclusão de que é propaganda de cabo a rabo", justificou Guerra, um dia depois de um almoço em que o PSDB discutiu estratégias para neutralizar o discurso otimista do PT.

No almoço, o comando do PSDB reclamou de campanhas publicitárias de empresas públicas e privadas exaltando o desempenho do governo Lula.

Questionado sobre a diferença entre a propaganda do PT e a do PSDB --monopolizada pelos governadores José Serra e Aécio Neves--, o advogado do PSDB, Afonso Ribeiro, afirma que o partido exalta a administração tucana, mas não faz menção à eleição.

Protagonizados por Lula, o programa em bloco e uma inserção são alvo das representações. Na inserção, o presidente diz que a consolidação das leis sociais não é garantia de que "ninguém vai poder mexer nas conquistas do povo" após seu governo. "A garantia definitiva quem vai dar é o próprio povo brasileiro, fazendo com que o Brasil siga no rumo certo", diz.

No programa, Lula afirma que Dilma "confirma a regra de que mulher faz tudo com amor, dedicação e competência".

Além de aplicação de multa de até R$ 25 mil, o PSDB pede que o julgamento seja ainda no primeiro semestre deste ano.

Em São Paulo, o PT já apresentou duas representações contra o governador José Serra (PSDB) no Ministério Público Eleitoral por veiculação de propaganda fora do Estado e uma série de entrevistas a programas populares.

O presidente estadual do PT, Edinho Silva, afirmou que a bancada vai requerer informação sobre os gastos do Estado com publicidade no último bimestre de 2009. Só no feriado da virada do ano, foram ao ar sete diferentes campanhas.

"É só para materializar o que todo mundo já notou: o exagero de propaganda no fim do ano", disse Edinho.

Nota do Viomundo: O fato de que o PSDB reclamou indica que fez efeito. Francamente, achei aquele trecho do programa do PT o mais eficaz para descrever o PSDB: o partido dos ricos.

Extraído do Vi o Mundo