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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A imprensa e(é) o câncer do Lula*

Lula já passou por tudo na vida. Nasceu no berço da miséria, viajou treze dias num pau-de-arara. Trabalhou como engraxate, tornou-se torneiro mecânico e um acidente de trabalho lhe amputou um dedo. Viu sua primeira mulher morrer, foi preso político e na cadeia não acompanhou a morte de sua mãe, dona Lindu. Sofreu o preconceito dos ricos e da classe média. Concorreu quatro vezes à presidência e quando lá chegou enfrentou a tentativa dos poderosos de tirá-lo do poder a qualquer custo. Em todas as situações resistiu. Liderou as greves dos metalúrgicos no ABC paulista durante a ditadura militar, construiu um partido de esquerda e ajudou a transformá-lo no maior da América Latina. Foi reconhecido como o melhor presidente que o Brasil já teve e transformou-se em liderança mundial.

Certamente não será o câncer de laringe que irá derrubá-lo. Lula tira da sua própria história pessoal, da sua luta para viver e sobreviver, a força para enfrentar e vencer mais esta dificuldade que a vida lhe impôs. E a esperança mais uma vez vai vencer o medo.

O mais revoltante nisso tudo é o tratamento dispensado pelas grandes empresas de comunicação e seus comentaristas de boteco num momento que deveria ser de solidariedade ao ex-presidente. Logo depois do anúncio da doença, no sábado, diversos veículos de imprensa, em especial portais na internet, buscaram “analisar” a conjuntura sem o Lula. Para os mais atentos, foi possível perceber que logo após a divulgação da notícia, vinham comentários esdrúxulos, irreais e desrespeitosos. Um analista chegou a afirmar que a doença de Lula iria modificar completamente a vida política no Brasil já a partir de 2012. Apostava ele no crescimento da oposição e na saída do ex-presidente de cena. Uma afirmação sem pé nem cabeça feita por um comentarista de boteco desejoso de que o ex-presidente não se recupere e rume para a sua angústia final. Esta seria a oportunidade, na cabeça do analista, para a elite voltar ao poder.

Tão ou mais revoltante do que os comentários, foram as afirmações de militantes da elite nas redes sociais. Aqueles mesmos que no ano passado disseminaram o ódio e o preconceito contra a esquerda buscando eleger José Serra, representante brasileiro do Tea Party. São também os mesmos que aplaudem o assassinato de moradores de rua, o espancamento de gays, lésbicas, negros e mulheres. Para eles, a morte de Lula seria a melhor solução.

Lula tem um câncer de laringe, de agressividade média e cerca de três centímetros, o qual irá tratar durante os próximos meses. Para a decepção de alguns, não morrerá e nem sairá da política. Continuará ajudando a construir um Brasil cada vez melhor para os brasileiros e lutando para mudar a vida das pessoas no mundo inteiro através da sua influência e liderança.

O maior câncer de Lula não é o da laringe, que é reversível e curável. A parcela considerável da imprensa que representa os interesses de uma elite retrógrada e conservadora é o maior câncer. Não somente do Lula, mas de toda a sociedade.

* por André Rosa, editor do blog www.contraversando.blogspot.com

sexta-feira, 30 de abril de 2010

“Brasil, entre o passado e o futuro”, dia 8 de maio, em Porto Alegre


No dia 8 de maio, sábado, às 10 horas, Porto Alegre recebe Emir Sader e Marco Aurélio Garcia, autores do livro “Brasil – Entre o Passado e o Futuro”, coedição Editora Fundação Perseu Abramo e Boitempo, para o lançamento e debate em torna da obra que chega a sua terceira reimpressão após apenas um mês do lançamento. Tarso Genro, Raul Pont e Olívio Dutra também compõem a mesa do debate que será realizado na igreja da Pompéia (Rua Barros Cassal, 220).


“Brasil – Entre o Passado e o Futuro” reúne ensaios de atores da cena política e intelectual brasileira que buscam assimilar e analisar as intensas transformações ocorridas no Brasil nos últimos sete anos. Os textos se debruçam sobre o passado recente do país na tentativa de desvendar diversos aspectos da realidade brasileira, como sua dinâmica econômica, social, política e cultural.

A obra busca contribuir com o debate sobre o que virá após o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para tanto, contou com a colaboração de importantes intelectuais – integrantes do governo ou não – que nunca deixaram de pensar e sistematizar ideias sobre o processo em curso no país: Marco Aurélio Garcia, Emir Sader, Marcio Pochmann, Guilherme Dias, Luiz Dulci, Nelson Barbosa, José Antonio Pereira de Souza e Jorge Mattoso. Além dos artigos, completa o volume uma entrevista com Dilma Rousseff, feita por Garcia, Sader e Mattoso.

O livro apresenta um conjunto de dados, análises e propostas de intelectuais comprometidos com um projeto de país que será o centro do debate nas disputas eleitorais de 2010. Busca, assim, trazer uma contribuição interpretativa sobre o momento atual, vislumbrando sempre poder transformar o futuro.

Ensaios e autores

Brasil, de Getúlio a Lula – Emir Sader

O Brasil herdado – Jorge Mattoso

A inflexão do governo Lula: política econômica, crescimento e distribuição de renda – Nelson Barbosa e José Antonio Pereira de Souza

A sociedade pela qual se luta – Guilherme Dias e Marcio Pochmann

Participação e mudança social no governo Lula – Luiz Soares Dulci

O lugar do Brasil no mundo – Marco Aurélio Garcia

A política externa em um momento de transição – Marco Aurélio Garcia

Um país para 190 milhões de brasileiros – Entrevista com Dilma Rousseff

Fonte: RS Urgente

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O Globo tem razão: o Serra Venderia o Bolsa Família à Wal Mart


Saiu numa discreta manchete da primeira página do Globo e na página três a denúncia que pode provocar o Golpe Eleitoral (*) contra Lula (eles tentam, tentam, tentam…):


Para o Globo e sua fúria golpista, isso significa que o Lula ameaça os beneficiários do Bolsa Família: cuidado que o Serra pode mudar tudo.

E pode mesmo.

O próximo Presidente pode mudar tudo.

Se for a Dilma, ela pode ampliar e aprofundar o Bolsa Família, o melhor e mais extenso programa de intervenção contra miséria em curso no mundo, segundo a opinião do Banco Mundial.

Se o presidente fosse (fosse, porque não será) o Serra, segundo um amigo navegante mineiro, ele venderia o Bolsa Família à Wal Mart.

Pode, sim, o os tucanos vão acabar com as obras de saneamento básico do PAC.

Clique aqui para ler sobre o que o presidente dos tucanos, o deputado Sergio Guerra, disse à última flor do Fascio, também conhecida como Cloaca Máxima:

Os tucanos podem vender o Bolsa Família.

Como o Serra vendeu as águas do rio Tietê.


O Globo tem razão.

Os tucanos podem mudar tudo.

E aí reside o perigo.


(*) “Golpe Eleitoral” é o que parecia preconizar o Supremo Presidente do Supremo, quando mandou o Tribunal Superior Eleitoral punir o Lula. Clique aqui para ler “Ayres Britto reduz Gilmar à sua insignificância”

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

PSDB: PT discriminou os ricos

PSDB revê tática e vai ao TSE contra PT e Dilma


CATIA SEABRA
da Folha de S.Paulo

Numa demonstração de que o ano eleitoral já começou, o PSDB partiu para ofensiva para tentar deter o crescimento da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) registrado no último Datafolha. Antes acomodados numa confortável liderança, tucanos mudaram de estratégia e até entraram com duas representações no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para impedir a exibição do programa do PT em maio.

Nelas, o PSDB acusa o PT de "terrorismo eleitoral", propaganda antecipada e promoção pessoal de Dilma no programa partidário veiculado em dezembro. A propaganda eleitoral só é permitida a partir de julho.

Numa das representações, o PT é também acusado de incitar o preconceito de classe, ao afirmar que tucanos "separavam o que consideravam coisa de pobre e coisa de rico".

"Para eles, apenas os ricos pareciam ter o direito de ser feliz", dizia a propaganda, após listar carne e carro como "coisa de rico" e desemprego e escuridão como "coisa de pobre".

Segundo a representação, o PT feriu o Código Eleitoral, segundo o qual "não será tolerada propaganda [...] de preconceitos de raça ou de classes".

Estratégia

As representações foram apresentadas no último dia útil de 2009, 19 dias após o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE), afirmar que não daria resposta ao programa exibido em 10 de dezembro.

"Todos foram consultados. Examinamos as peças e chegamos à conclusão de que é propaganda de cabo a rabo", justificou Guerra, um dia depois de um almoço em que o PSDB discutiu estratégias para neutralizar o discurso otimista do PT.

No almoço, o comando do PSDB reclamou de campanhas publicitárias de empresas públicas e privadas exaltando o desempenho do governo Lula.

Questionado sobre a diferença entre a propaganda do PT e a do PSDB --monopolizada pelos governadores José Serra e Aécio Neves--, o advogado do PSDB, Afonso Ribeiro, afirma que o partido exalta a administração tucana, mas não faz menção à eleição.

Protagonizados por Lula, o programa em bloco e uma inserção são alvo das representações. Na inserção, o presidente diz que a consolidação das leis sociais não é garantia de que "ninguém vai poder mexer nas conquistas do povo" após seu governo. "A garantia definitiva quem vai dar é o próprio povo brasileiro, fazendo com que o Brasil siga no rumo certo", diz.

No programa, Lula afirma que Dilma "confirma a regra de que mulher faz tudo com amor, dedicação e competência".

Além de aplicação de multa de até R$ 25 mil, o PSDB pede que o julgamento seja ainda no primeiro semestre deste ano.

Em São Paulo, o PT já apresentou duas representações contra o governador José Serra (PSDB) no Ministério Público Eleitoral por veiculação de propaganda fora do Estado e uma série de entrevistas a programas populares.

O presidente estadual do PT, Edinho Silva, afirmou que a bancada vai requerer informação sobre os gastos do Estado com publicidade no último bimestre de 2009. Só no feriado da virada do ano, foram ao ar sete diferentes campanhas.

"É só para materializar o que todo mundo já notou: o exagero de propaganda no fim do ano", disse Edinho.

Nota do Viomundo: O fato de que o PSDB reclamou indica que fez efeito. Francamente, achei aquele trecho do programa do PT o mais eficaz para descrever o PSDB: o partido dos ricos.

Extraído do Vi o Mundo

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Lula é maior do que o Brasil

Acabo de assistir ao filme do Lula.
É um filme normal, dirigido ao grande público, ao público da Globo Filmes, sua produtora.
É uma versão desidratada do jovem líder sindical, muito mais radical do que aparece.
Se Lula é filho do Brasil, Gloria Pires é o Brasil – a cara do Brasil.O filme não está em questão.
O que interessa é o Lula.Uma biografia de que todos os brasileiros deveriam se orgulhar.
Se o Brasil não estivesse, especialmente em São Paulo, partido pelo preconceito e o ódio.
O que Fabio Barreto conta todo brasileiro deveria saber de cor e salteado.
Uma interdição política impediu que a impressionante biografia de Lula se tornasse exemplo para milhões e milhões de brasileiros pobres, como ele.
Como diz Mino Carta, dificilmente outro operário metalúrgico, nordestino, será presidente do Brasil.Tomara que um outro Lula – não-nordestino, não-operário metalúrgico – dê tanto orgulho aos brasileiros.
Que outro um Lula tenha, como ele, a visão estratégica correta – que ele era líder sindical de uma economia capitalista, de uma sociedade que se tornava democrática, com opinião pública.
E, por isso, ajudou a derrubar o regime militar.
Porque entendeu as forças políticas que estavam em jogo.
(Interessante que uma corrente subalterna da historiografia brasileira atribua o fim do regime militar à onisciência de George Washington (Ernesto Geisel) e Thomas Jefferson (Golbery).Clique aqui para ler sobre o papel de Lincoln Gordon, Lyndon Johnson e a CIA na queda de Goulart para ver que, sem estes, Golbery não passaria de um Rodrigo Maia.
Lula é maior do que os militares que o encarceraram.
Lula é maior do que o Sindicato dos Metalúrgicos.
Lula é maior do que São Bernardo.
Lula é maior do que São Paulo.
Lula é maior do que o PT.
Lula é maior do que o Brasil.