Mas se os homens que atacaram Eliseu queriam roubar o carro, por exemplo, porque o veículo não foi levado? Aliás, por que não roubaram nada, nem mesmo a pistola automática que ele carregava? Ladrões costumam gostar de armas sofisticadas e, para obtê-las, não raro, fazem verdadeiros sacrifícios.
A primeira explicação poderia ser de que, como já estava no inteiror do veículo quando a ação teve início, a esposa de Eliseu poderia não ter ouvido os ladrões anunciarem o assalto. Para responder ao segundo questionamento, poderia se dizer que, diante da reação do secretário (testemunhos levaram à conclusão de ele teria atirado primeiro), os homens teriam desistido do roubo e fugido num Vectra que os esperava por perto.
Mas aí surge outra questão: se os homens que acabaram matando Eliseu não tinham intenção deliberada de fazê-lo e queriam, apenas, roubar o carro, porque usaram um segundo veículo na ação? Sim, poderiam ser ladrões que atuam de modo planejado e o segundo carro estaria na cena apenas para o caso de alguma coisa sair errada como, efetivamente, saiu. Estaríamos, então, lidando com criminosos profissionais? Ou não são profissionais os ladrões que planejam seus assaltos?
Entretanto, se for assim, a segunda hipótese para o mistério da rua Hoffmann, a de que tenha havido uma execução, ganha alguma robustez. Ou seja, se foi coisa de profissional, o objetivo poderia ser o de tirar a vida de Eliseu. Para o pessoal de imprensa que chegou ao local do crime quando o corpo ainda estava no chão e para os policiais subalternos que primeiro atenderam a ocorrência, havia poucas dúvidas: a Eliseu fora dada uma “sentença” de morte. Só restava saber se a execução fora do próprio sentenciador ou de alguém a seu mando.
Foi o delegado Alexandre Vieira quem, lá pelas 3h da manhã de sábado, em entrevista à Rádio Gaúcha, tratou de esfriar esta primeira hipótese dizendo que assassinos profissionais não costumam agir em locais com tanta gente como a saída de um culto, não costumam atirar à distância (falava-se em cerca de 10 metros naquele momento) e, geralmente, usam armas de maior precisão e poder destrutivo (os projéteis no corpo de Eliseu, àquelas alturas já necropsiado, seriam de revólver calibre 38). Na linha de Vieira, o senador Sérgio Zambiasi (PTB) disse ter conversado com a viúva e que as palavras da mulher indicariam que houve, sim, uma tentativa de assalto.
A hipótese de execução não pode, contudo, ser descartada. Quando se investigam crimes deste gênero, uma das principais respostas que se procura é a motivação. O fato de o próprio Eliseu já ter dito publicamente que havia sido ameaçado e os rumorosos casos que envolviam seu nome, estão aí a manter viva esta trágica possibilidade
Que não se perca de vista que o tiro que matou Eliseu atingiu-lhe em cheio o coração. Se quem disparou o fez para reagir a um possível contra-ataque da vítima – hipótese de assalto - ou se visava mesmo matá-lo – hipótese da execução -, profissional ou não, atingiu seu objetivo.
Para que o caso Eliseu não caia no mesmo escaninho do caso Daudt, até hoje insolúvel, convém ainda pensar para além das hipóteses iniciais. E se quem matou o secretário não foi um assassino profissional nem um ladrão supreendido com a reação da vítima, mas um desafeto qualquer que, premido por algum sentimento de raiva ou vingança, resolveu tirar-lhe a vida? Mais: e se foram sim, assassinos profissionais que, exatamente para criar a confusão atual, simularam um asssalto? Seja como for, o mistério está aí a desafiar a competência da Polícia. Mais do que apresentar os personagens ainda ocultos do brutal assassinato de Eliseu Santos, cabe à Polícia responder à sociedade gaúcha, com provas irrefutáveis, como e por que o crime aconteceu. (Maneco)
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Fique a vontade, os comentários não serão moderados. As opiniões divergentes são bem vindas. Mas os que forem de baixo nível, com palavras ofensivas e de baixo calão serão excluídos.